jane eyre

jane eyre

Não queria fazer essa resenha tão cedo para poder aproveitar os efeitos que sobraram do término do livro. Mas sabem de uma coisa? É melhor mesmo falar dele agora, quando tenho tudo fresquinho na minha cabeça.

Tenho aproveitado meus momentos de descanso essa semana para adiantar algumas leituras. Comecei a lê-lo há algum tempo, mas não consegui engatar. A verdade é que Jane Eyre é um livro que fisga a gente e, uma vez que entramos no seu mundo, é difícil de sair. Por isso, não me permitia lê-lo apenas durante meia hora. E, na falta de mais tempo, acabou que ele ficou de lado por um tempo. Não à toa abocanhei mais da metade do livro nesses dois últimos dias.

O livro mais célebre de Charlotte Brontë conta sobre a órfã Jane Eyre – desde seus 10 aos seus 19 anos. Sua história começa com um tratamento cruel sob o teto da sua tia, morando de favor e em péssimas condições, submetida sempre aos maus tratos de seus primos. Por causa do seu “mau comportamento”, Jane é enviada a uma escola de moças, onde evolui lindamente por 8 anos, se tornando uma professora exemplar durante seus dois últimos anos por lá. Em busca de novas aventuras, Jane consegue um novo trabalho como governanta e professora de uma menina em Thornfield Hall. Lá ela conhece o misterioso Mr. Rochester – e cai de amores por ele.

Charlotte Brontë.

Charlotte Brontë.

O enredo, para quem leu Jane Austen, não é tão diferente. E, assim como Austen, Charlotte consegue criar uma personagem feminina forte e segura de si, que nos ensina muito. Jane Eyre é muito reflexiva, e isso é algo incrível. Entramos nos pensamentos da personagem e nos identificamos com ela, concordamos com a sua maneira de ver o mundo. E a admiramos por isso. Charlotte Brontë foi uma das autoras que contestou costumes de sua época. Assim, ela conseguiu reproduzir, por meio de Jane Eyre, algumas de suas inquietações.

Espera-se das mulheres que sejam calmas. Mas elas são como os homens. Precisam exercitar suas faculdades, necessitam de um campo para expandir seus esforços, assim como seus irmãos. Sofrem com as rígidas restrições, a estagnação absoluta, tanto quanto os homens sofreriam. É tacanho por parte desses seres mais privilegiados dizer que elas devem se limitar a fazer pudins e a tecer meias, a tocar piano e a bordar bolsas. É insensato condená-las, ou rir delas, quando buscam fazer ou aprender coisas novas, além do que os costumes determinam que é o ideal para seu sexo.

Jane Eyre é uma personagem que percebe-se forte e consegue dominar seus medos. Ela se mantém simples, do começo ao fim, otimista e fiel aos seus princípios. Além disso, com um pulso firme dotado de ternura que consegue cativar todos à sua volta (ok, talvez não todos…) e é uma delícia poder acompanhar suas aventuras, desafios e pensamentos. É uma leitura agradável que nos surpreende em um dado momento. Eu, pelo menos, não previa algumas revelações, confesso.

Ler Jane Eyre nos acrescenta muito e o término do livro nos faz parar para pensar, inevitavelmente. Ter uma personagem que não tem medo de dizer o que pensa, que é verdadeira consigo mesma e que corre (literalmente) para realizar seus sonhos é algo revigorante. Ainda não li O Morro dos Ventos Uivantes, da Emily Brontë, ou Agnes Grey, da Anne Brontë, mas mal posso esperar para adicionar as demais irmãs Brontë à minha listinha de leitura para o próximo ano. <3

tudo (ou quase tudo) sobre o kindle

tudo (ou quase tudo) sobre o kindle

o cemitério

o cemitério