sobre desapegos e levezas

sobre desapegos e levezas

Domingo foi dia de faxina aqui em casa. Gosto de tirar o fim de semana para organizar as coisas, já que durante os dias úteis eu trabalho até tarde. Assistir ao workshop da Ana no sábado foi um impulso para fazer o que eu queria já há algum tempo. Acho que vocês vão se identificar comigo: quando olho para um guarda-roupa que está cheio de peças que eu NUNCA uso, sinto um peso danado. Era só abrir o armário pra pensar: “cara, o que essas coisas estão fazendo aqui?!”.

No final do ano passado, eu fiz uma super limpa no meu armário. Esvaziei o equivalente a uma mala enooooorme de viagem – com roupas, sapatos, bolsas… Essas coisas eu consegui vender, mas, mesmo depois de alguns meses, ainda sentia que faltava tirar coisa. Eu sou uma pessoa muito prática (vide o layout do blog). Detesto poluição visual e fico incomodada quando coisas ocupam alguns lugares à toa, mas sou meio preguiçosa para certas coisas ao mesmo tempo (arrumar o armário, por exemplo :P), então, deixei pra lá e ficava empurrando a tarefa com a barriga. Foi aí que juntei ânimo suficiente para fazer a parte 2 da limpa nesse domingo passado.

Tirei todas as peças e separei aquelas que eu tinha um apego emocional. Roupas que não gostaria de dar e que, ainda assim, rendem boas composições. Nessa leva, acabei descobrindo coisas que eu nem lembrava – e dei novos usos para elas. Como esse cachecol azul de bolinhas brancas da foto abaixo. Também dei uma segunda chance para peças que eu achava bonitas e que, com a minha mania de só usar camiseta e calça jeans, acabavam esquecidas – como essa blusa de lurex dourada da imagem.

Além das roupas que eu tinha certeza que ainda iria usar, separei algumas peças que ainda estava na dúvida e me desafiei a criar 3 composições bem diferentes com elas. Aquelas que não se encaixaram com nada, descartei. Não é fácil você ver uma roupa que você gosta e adoraria usar, mas que não combina mais com seu estilo ou não se adapta ao seu cotidiano. Para não me apegar a elas, mentalizei o mantra: “melhor ter poucas e boas roupas do que abarrotar o armário com coisas inúteis”.

E sabe o que mais? Foi um puta exercício de autoconhecimento. Parei de usar shorts, saias e vestidos por conta de investidas masculinas desnecessárias. Aqui em Belo Horizonte, basta você mostrar as pernas que as pessoas não param de te encarar e falar coisas obscenas para você. É uma questão que me incomoda demais, MESMO. Até que olhei para aquele armário cheio de roupas bonitas e pensei no desperdício, e em mim mesma. Vou deixar de usar coisas que eu adoro e me fazem bem simplesmente para passar despercebida por aí?

Eu estava entrando numa vibe que só me deixava pra baixo durante muito tempo e esqueci de fato o que é me arrumar para mim. Ainda ando com medo, mas me impus esse desafio, de usar a roupa que quero, sem pensar tanto no que os outros vão achar. Não é fácil, mas é um exercício necessário. Precisamos ser feliz, em primeiro lugar, para nós mesmas. Acho que o grande segredo é buscarmos a leveza – e não só no guarda-roupa. Isso vale pra vida também.

3 truques simples de estilo para deixar a composição menos sem graça

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